Hibridização do Esmalte e Dentina – Sistemas Adesivos

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Hibridização do Esmalte e Dentina – Sistemas Adesivos 2019-06-17T19:24:18+00:00

A dentina possui morfologia bastante complexa e sua permeabilidade está diretamente relacionada à disposição dos túbulos ou canalículos dentinários ao longo da mesma. Os túbulos são estruturas levemente cônicas que se direcionam da junção amelodentinária (JAD) à polpa na porção coronária, e da junção cemento esmalte à polpa (JCE na parte radicular dos dentes). As aberturas dos canalículos são significantemente maiores na proximidade com a polpa, o que aumenta a permeabilidade nesta região. As aberturas dos túbulos é de aproximadamente 1% próximo a JAD, e de aproximadamente 20% sobre a polpa.

Conceito de Adesão

A adesão a estruturas dentárias está relacionada com o adesivo, a força de adesão e a durabilidade. O adesivo é um material geralmente líquido que se solidifica entre dois substratos, sendo capaz de transferir carga de um substrato para outro. A força de adesão mede a capacidade de uma união adesiva suportar uma carga. O período durante o qual essa adesão permanece estável é a durabilidade.

Primer

O primer, conforme a definição utilizada por industrias, é uma solução de monômeros em solventes orgânicos, quando ocorre a evaporação do solvente (água, etanol/acetona), uma película fina de monômero fica aderida fortemente à superfície do substrato. O primer aumenta a energia de superfície, interage com a parte úmida da dentina e retira o excesso de umidade, preparando a superfície para infiltração do monômero hidrófobo do adesivo. No esmalte os primers não são necessários e podem até causar uma diminuição na adesão, principalmente se a composição do solvente for exclusivamente água (BARATIERI, 2015).

No sistema adesivo convencional de 3 passos o primer contém monômeros hidrófilos (afinidade com a água) e o adesivo é a porção hidrófobica e tem como função proteger a camada híbrida da degradação hidrolítica e copolimerizar com a resina composta.

Adesivo

São basicamente monômeros hidrófobos, como o BIs-GMA e o TEGDMA que raramente contém monômeros hidrófilos (HEMA) e que devem ser capaz de penetrar nas irregularidades criadas pelo ácido e infiltradas pelo primer e coopolimerizar com o material restaurador (BARATIERI, 2015).

Dependendo da aplicação prévia ou não de ácido fosfórico sobre o substrato dentário, os adesivos atuais podem ser classificados em convencionais e universais (autocondicionantes).

Os adesivos convencionais necessitam do condicionamento prévio com ácidos e são classificados de acordo com o número de passos operatórios e envolvem a completa remoção do smear layer.

  • 03 passos: ácido fosfórico, primer e adesivo.
  • 02 passos: ácido fosfórico, primer + adesivo.

Os adesivos universais apresentam monômeros ácidos em sua composição e dispensam o condicionamento ácido sem precisar remover totalmente o smear layer:

  • 02 passos (primer acídico e adesivo).
  • 01 passo (primer acídico + adesivo).

Ao utilizar adesivos universais, uma recomendação é a de que o esmalte seja condicionado previamente com ácido fosfórico para que haja melhor interação do adesivo com o esmalte.

Condicionamento ácido total adesivos convencionais:

  • Ácido fosfórico em gel a 37%:
  • No esmalte por 30 segundos
    • Remoção total do smear layer
    • Cria porosidades no esmalte
    • Aumenta a área e a energia de superfície
  • Na dentina por 15 segundos, em casos de dentina média e superficial:
    • Remoção total do smear layer e smear plug
    • Desmineralização da dentina intertubular e peritubular
    • Abertura dos túbulos
    • Exposição das fibrilas colágenas
    • Redução de energia de superfície

Condicionamento ácido seletivo – adesivos autocondicionantes (universais):

  • Ácido fosfórico em gel a 37%: Apenas no esmalte por 30 segundos

Lavagem após o condicionamento ácido

Deve-se realizar a lavagem e retirar o excesso de água, porém sem provocar um ressecamento excessivo, a umidade deve ser preservada, especialmente na dentina para que não ocorra o colabamento (colapso) das fibrilas colágenas, impedindo uma boa infiltração do agente de união. O excesso de água provoca a diluição dos componentes, enfraquecimento da camada de adesivo e deficiência na fotoativação. Não secar a dentina com jatos de ar da seringa tríplice, utilizar bolinhas de algodão hidrófila ou papel absorvente.

Referências

BARATIERI, L. N.; Monteiro Jr, S. et al. Odontologia Restauradora: Fundamentos e Possibilidades. São Paulo: Ed. Santos/2 a . Edição, 2015.

MONDELLI, J. et al. Fundamentos de Dentística Operatória. São Paulo: Ed. Santos/1a . Edição, 2006.

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