Retração/Recessão do Tecido gengival

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Retração/Recessão do Tecido gengival 2018-09-28T21:13:52+00:00

A margem gengival é uma linha que segue o contorno da junção cemento-esmalte. A recessão/retração gengival é um posicionamento apical da margem gengival em relação à junção cemento-esmalte, decorrente da perda das fibras conjuntivas de proteção e inserção, acompanhada da reabsorção da crista óssea alveolar e necrose do tecido cementário (AAP, 2001). É uma característica comum em populações com um padrão bom ou deficiente de higiene oral.

A etiologia primária é sempre um processo de inflamação que pode ser por uma infecção ou trauma. Podem existir no mínimo 3 tipos de retrações gengivais associadas, como fatores mecânicos, lesões inflamatórias induzidas por placas e formas generalizadas de doenças periodontais destrutivas.

Fatores mecânicos

Pode ocorrer com o trauma produzido pela má escovação ou por um conjunto de fatores, como, a pressão, tempo, tipo das cerdas e o dentifrício utilizado. A lesão é caracterizada por uma gengiva clinicamente sadia, porém apresenta raiz exposta com um defeito de cunha, com a superfície limpa, lisa e polida. Caracterizando como abrasões cervicais (lesão cervical não cariosa), posterior ao início da recessão.

Retração gengival causada pela má escovação. Fonte: LINDHE, 2010.

Retração gengival causada pela má escovação. Fonte: LINDHE, 2010.

O trauma causado pelo mau uso do fio dental tem como característica uma fenda bifurcada, que pode ou não ser reversível. Quando o trauma está confinado ao tecido conjuntivo, tem aparência clínica avermelhada e neste caso pode ser reversível com a interrupção do trauma, nos casos de aparência esbranquiçada e a superfície radicular está visível, torna-se irreversível (Zucchelli, 2015).

Característica do trauma da lesão por fio dental, com bifurcação avermelhada (reversível)
(fonte: Zucchelli, 2015)

 

Característica do trauma da lesão por fio dental, com bifurcação esbranquiçada e superfície radicular aparente (irreversível) (fonte: Zucchelli, 2015)

 

Em lesões gengivais induzidas por vírus (Vírus Herpes simplex), a escovação dentária e o uso do fio dental, pode ser responsável pela evolução da infecção e nestes casos devem ser interrompidas e fazer uso de colutório (clorexidina) para o controle químico da placa (Zucchelli, 2015).

Lesões inflamatórias localizadas induzidas por placas

A lesão inflamatória se desenvolve em resposta à placa subgengival no tecido conjuntivo adjacente ao epitélio dentogengival. Ocorre geralmente em dentes em que o osso alveolar é fino ou está ausente (deiscência óssea) e além disso, a gengiva possui tecido fino.

Retração gengival associada a lesão inflamatória induzida por placa. Fonte: LINDHE, 2010.

Formas generalizadas de doença periodontal destrutiva

A perda de suporte periodontal nas áreas interproximais pode resultar na remodelagem compensatória do suporte na face vestibulolingual dos dentes, levando a um deslocamento apical da margem do tecido mole marginal (Serino et al, 1994).

Retração gengival associada a formas generalizadas de doença periodontal destrutiva. Fonte: LINDHE, 2010.

Faixa de gengiva e Biotipo

Evidências de estudos longitudinais prospectivos mostraram que a faixa de gengiva não é um fator essencial para a prevenção da retração gengival, mas que o desenvolvimento da retração gengival resultará em perda da faixa de gengiva.

No biotipo periodontal fino e festonado um processo inflamatório irá ocasionar retração gengival nos tecidos moles causada pela necrose do tecido epitelial devido a insuficiência de nutrição sanguínea fornecida pelo tecido conjuntivo, enquanto que no biotipo plano e espesso um processo inflamatório irá causar a formação de bolsa periodontal, favorecido pela maior nutrição sanguínea do tecido conjuntivo mais espesso.

 

Biotipo fino e festonado. Fonte: LINDHE, 2010.

Biotipo Espesso. Fonte: LINDHE, 2010.

Classificação dos defeitos de recessão gengival 

Miller (1985), classificou a recessão gengival em 4 classes, conforme a inserção periodontal interproximal, preservação da crista óssea  e exposição radicular, da seguinte forma:

 

Classe I: cristas ósseas preservadas e recessão não ultrapassa a linha muco-gengival, a cobertura completa da raiz pode ser realizada.

 

Classe II: cristas ósseas preservadas e recessão atinge ou ultrapassa a linha muco-gengival,  a cobertura completa da raiz pode ser realizada.

 

Classe III: ocorre perda de crista óssea que não ultrapassa a linha muco gengival, ocorre a formação de black space. A cobertura completa parcial da raiz pode ser realizada.

 

Classe IV: perda de crista óssea que ultrapassa a linha muco gengival, a cobertura da raiz não pode ser realizada, em muitos casos, a indicação é de exodontia.

 

Referências

CARRANZA Jr., F.A.; NEWMAN M.G.; TAKEI H.H. Periodontia clínica , 12 o ed., Ed. Elsevier, Rio de Janeiro, 2016.

LINDHE, J. Tratado de periodontologia clínica e implatologia oral, 5 o ed., Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2010.

Zucchelli G, Mounssif I. Periodontal plastic surgery. Periodontol 2000; 2015

Miller PD Jr. A classification of marginal tissue recession. Int J Periodontics Restorative Dent 1985

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