Moldagem em Prótese Fixa

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Moldagem em Prótese Fixa 2018-06-08T02:07:21+00:00

Umas das etapas fundamentais do processo de reabilitação oral é a moldagem. É na moldagem que irá ocorrer a transferência da situação clínica da boca do paciente para a confecção da peça protética em laboratório. Quanto melhor a fidelidade e precisão, maiores são as chances de sucesso de obtenção de um modelo de trabalho que possibilite visualizar com detalhes todas as estruturas necessárias e de interesse da cavidade oral do paciente.

A adaptação da peça com o término cervical não deve possibilitar subcontornos ou sobrecontornos, o subcontorno pode provocar alterações nos tecidos periodontais, devido a impactação alimentar e por pressão excessiva no tecido gengival, já o sobrecontorno, pode acarretar em inflamação no tecido periodontal, devido ao acúmulo de placa bacteriana, causada pela impossibilidade de higienização destes locais. Desta forma uma boa moldagem irá possibilitar que o técnico de prótese possa respeitar os princípios, biológicos, mecânicos e estéticos na confecção da peça protética e assim resultando em menos erros e retrabalho.

Materiais de Moldagem

Dos materiais disponíveis para a moldagem destacam-se os que são a base de borracha, classificados como elastômeros não aquosos. São eles: silicone polimerizado por adição e condensação, poliéter, polisulfetos (mercaptana).

Silicone polimerizado por Adição

Dentre os materiais é o que melhor apresenta estabilidade dimensional, possui excelente capacidade de cópia, boa resistência ao rasgamento e além disso tem a característica de tixotropismo que é a sua estabilidade de escoamento quando submetido a pressão durante a moldadem, impedindo o extravasamento do material de moldagem da moldeira. Como desvantagem tem o alto custo, sendo mais utilizado em reabilitações mais complexas.

É apresentado como uma massa densa (pesada) com catalizador e como pasta fluída (leve) utilizada com uma pistola, que quando acionada promove a mistura do material.

A manipulação da massa densa é fácil e deve ser com proporções iguais de pasta base e catalisadora, sem o uso de luvas com látex, por esta apresentar enxofre na sua composição, que inibe a reação de presa do material. Se for necessário o uso de fio retrator, a sua manipulação também deve ser realizado sem luvas com látex para não contaminar o fio e influenciar na reação de presa com o material leve. A luva de nitrilo pode ser utilizada.

O molde pode ser vazado em até sete dias, caso tenha a necessidade de vazar de imediato é necessário aguardar por uma hora ou mais devido a uma reação secundária que pode levar a produção de gás hidrogênio e produzir porosidades no gesso.

Silicone polimerizado por Condensação

Apresenta boa estabilidade dimensional e é de grande utilização pelos profissionais de Odontologia, possui capacidade de cópia inferior ao silicone de adição, porém com um custo menor.

A reação de polimerização libera um subproduto, o álcool etílico, desta forma, deve ser vazado imediatamente para que não ocorra uma contração do molde.

É apresentado como uma massa densa (pesada) com catalizador e como pasta fluída (leve) que após a espatulação em placa de vidro é introduzida em uma seringa própria (injetor para elastômero) para posteriormente ser aplicado.

Poliéter

É um polímero a base de poliéter, com excelente estabilidade dimensional e capacidade de cópia, fornecido em duas pastas (base e aceleradora) e não há liberação de subprodutos de reação de polimerização. O vazamento do molde  pode ser em até sete dias.

Possui alta rigidez, dificultando a retirada em moldagem realizada em toda a arcada dentaria, sendo mais utilizado em moldagens com casquetes, apresentando desta forma um bom rendimento apesar do seu alto custo.

Polissulfeto

É basicamente composto por uma mercaptna multifuncional, possui elasticidade e resistência adequadas e de fácil remoção de áreas retentivas, sendo considerado o elastômero menos rígido e com a menor estabilidade dimensional e custo relativamente baixo em relação aos outros elastômeros.

A apresentação do material é em tubos com basta base  e aceleradora dispensadas em proporções iguais. O subproduto gerado na reação de condensação é água, devendo desta forma, ser vazado imediatamente.

Afastamento gengival na moldagem

Para que uma moldagem seja capaz de expor o término cervical do preparo dentário para a confecção de próteses fixas unitárias ou parciais, é necessário que haja um adequado afastamento gengival de forma reversível, que permita a penetração do material de moldagem na área do sulco gengival e desta forma realizar a cópia fiel do término cervical do preparo.

Independente das mais variadas técnicas, materiais utilizados e periodonto sadio, a escolha deve ser sempre atraumática aos tecidos gengivais para diminuir o risco de retração gengival, que poderá interferir no resultado estético final da reabilitação e causar insatisfação ao paciente.

Dentre as técnicas mais utilizadas, estão a confecção de casquetes e a utilização de fio retrator.

Casquetes

O objetivo da moldagem com casquetes individuais com resina acrílica é promover o deslocamento mecânico da gengiva, sem o uso de fios retratores. É uma técnica que exige sensibilidade do operador, utilização de materias de diferentes naturezas (resina acrílica, elastômeros, hidrocolóide irrerversível) e pode ser necessário maior tempo clinico para a sua execução.

A técnica de moldagem através de casquetes de resina acrílica é baseado no uso de casquetes individuais a fim de promover o deslocamento da gengiva através de ação mecânica imediata. É considerada pouco onerosa, precisa e menos traumática para o tecido gengival. No entanto, é uma técnica que envolve materiais de natureza distintas com características físicas diferentes (resina acrílica, poliéter e hidrocolóide irreversível) para a moldagem, tornando esta técnica mais sensível ao operador, além poder exigir mais tempo clínico para sua execução. Para biotipos extremamente finos e festonados, o uso dessa técnica é de fundamental importância, uma vez que não é possível inserir um fio retrator sem causar incômodo ao paciente e lesão no tecido gengival.

Fio Retrator

O uso de fio retratores é meio mecânico químico para possibilitar o afastamento gengival, embebidos ou não em substâncias (adstringentes, cauterizadoras ou vasoconstritoras), que possuem várias espessuras ou diâmetros e que são escolhidos de acordo com o espaço existente no sulco gengival. As substâncias associadas aos fios podem ser: cloreto de zinco, cloridrato de epinefrina, epinefrina racêmica a 8%, sulfato de alumínio e potássio, cloreto de alumínio, ácido tricloroacético a 10 % e ácido tânico. Entretanto o seu uso é muito discutido na literatura, assim, alguns autores indicam a sua utilização por considerá-lo eficiente e outros condenam por considerá-lo danoso ao tecido gengival, causando recessões irreversíveis e perda de inserção. O grau de dano está na dependência da extensão subgengival, do agente químico empregado, do tempo de permanência do fio no interior do sulco e da pressão exercida para sua inserção (PÁDUA, 1988). É necessário umedecer o fio antes de removê-lo, evitando lesões ao tecido gengival devido à aderência do fio ao epitélio sulcular.

Técnicas de moldagem

Alívio interdental (dupla moldagem/dois tempos)

De fácil execução e muito utilizada. Após a inserção da pasta densa com a moldeira de estoque é realizado um desgaste nos espaços interdentais e introduzido a pasta fluída no molde e na arcada do paciente com uma pistola (silicone de adição) ou seringa (silicone de condensação). Esse tipo de procedimento constitui-se então de uma moldeira individual formada pela massa densa e em conjunto com a pasta leve obtém-se  uma moldagem que possa então reproduzir todo o preparo o termino cervical.

Moldagem única (um tempo)

O material leve é injetado sobre os dentes ou sobre a massa densa não polimerizada na moleira de estoque e em seguida levada a cavidade oral do paciente. Devido a viscosidade da massa densa, pode ocorrer o deslocamento do material leve, além disso é necessário uma segunda pessoa para a manipulação de uma das pastas, pois devem ser preparadas ao mesmo tempo, contudo consegue-se economia de material e um menor tempo clínico.

Referências

MESQUITA et al. Materiais E Técnicas De Moldagem Em Prótese Fixa- Revisão De Literatura. Saber Científico Odontológico, Porto Velho, 2 (1): 45 – 54, jan/jun., 2012

RIBEIRO et al. Técnica alternativa para afastamento gengival e moldagem com casquete individual, Revista de Odontologia da UNESP. 34(4): 179-183, 2005

SILVA, Francisco Cláudio Fernandes Alves e et al . Técnica de moldagem modificada usando silicona de adição. Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent.,  Sao Paulo ,  v. 70, n. 4, dic.  2016

PÁDUA, A. S.. TÉCNICAS DE AFASTAMENTO GENGIVAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS AO PERIODONTO. R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:67-70, 1998

Mezzomo E, Suzuki RM. Reabilitaҫão Oral Contemporânea. Livraria Santos Editora.1a edição; 2009.

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